Twitter vira instrumento oficial de comunicação na Venezuela

terça-feira, 25 de maio de 2010


Hugo Chávez durante discurso, em setembro de 2009 (Foto: Getty)
Desde que criou o seu perfil na rede social Twitter, no final de abril, como "parte de uma estratégia do governo contra os oposicionistas", o presidente da Venezuela Hugo Chávez tem usado a ferramenta para fazer propaganda de seu governo. Até mesmo as decisões polêmicas e de extrema importância para o país foram parar na rede em mensagens de, no máximo, 140 caracteres.
Na madrugada desta quinta-feira, o caudilho chegou a anunciar o afundamento de uma plataforma de gás, com 95 trabalhadores. "Com pesar, informo que a plataforma de gás Aban Pearl afundou há poucos momentos. A boa notícia é que 95 trabalhadores foram salvos", afirmou ele pela rede social aos seus 313.982 seguidores.
Pouco depois, uma nova mensagem atualizava a situação. "Todos foram retirados e, neste momento, patrulhas das Forças Armadas se dirigem ao local. Seguiremos adiante e venceremos. Viva a Venezuela".
O pronunciamento oficial do governo sobre o acidente, no entanto, veio apenas após a mensagem eletrônica de Chávez e foi feito pelo ministro de Energia e Petróleo da Venezuela, Rafael Ramírez, na televisão estatal.
No dia anterior, a nacionalização de uma universidade foi o tema de suas mensagens. "Informo, atenção Barinas: estudantes da Universidade Santa Inês, acabo de aprovar o plano de nacionalização para o bem de todos. Agora: GRÁTIS."
As mensagens não param por aí. O ditador venezuelano usa o Twitter para fazer promessas à população, falar de aumento de salários ou pensões e postar mensagens anti-capitalismo e em prol da revolução socialista.
"Não nos resta outra alternativa a não ser apertar a regulação do mercado capitalista selvagem. Ou acabamos com o capitalismo ou ele acaba conosco", diz um dos posts mais recentes do venezuelano.
Censura - O jornalista e ex-diretor geral da Globovisión, Alberto Federico Ravell, vê a adesão de Chávez à rede como uma garantia contra a censura. "Fico muito contente que o presidente tenha entrado no Twitter porque dá ao povo venezuelano a garantia de que não vai eliminar a ferramenta. Houve um boato de que ele faria isso, mas agora está participando", disse Ravell a VEJA.com. "É o primeiro comunista que usa o Twitter no mundo. Um comunista que usa uma ferramenta capitalista", concluiu.
De fato, a internet ainda é um dos poucos meios de comunicação que não foram censurados no país, onde falar mal do presidente pode acabar em cadeia. Mas nada garante que esta realidade não esteja com os dias contados, se levarmos em conta os exemplos de censura exercidos por Chávez nos últimos meses.
No começo de 2010, ele tirou do ar, pela segunda vez em três anos, a emissora RCTV - que se recusou a exibir um pronunciamento do presidente – e outros cinco canais de televisão. As suspensões causaram a renúncia do vice-presidente da República, além de uma onda de protestos no país, que acabou com a morte de dois jovens.
Logo depois, em março deste ano, o presidente da emissora Globovisión, Guillermo Zuloaga, foi preso, acusado de ter insultado o governo Chávez durante um Congresso da Sociedade Interamericana de Imprensa.
Chávez estreou no Twitter em 28 de abril de 2010, pouco antes de uma visita que fez ao Brasil. Dez horas depois da abertura da conta, já tinha mais de 45.000 seguidores. A cada atualização da página, surgiam pelo menos mais dez pessoas interessadas em ouvir o que o presidente venezuelano tinha a dizer. Hoje, Chávez conta com uma equipe de 200 pessoas para ajudá-lo a responder suas mensagens.

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