Redes Sociais e o Twitter

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Twitter é uma ferramenta de micromensagens5, lançada em outubro de 2006 e com
um rápido crescimento no mundo6 e no Brasil7, na qual, originalmente, os usuários são
convidados a responder à pergunta “O que você está fazendo?” em até 140 caracteres. Ali, é
possível construir uma página, escolher quais atores “seguir” e ser “seguido” por outros.
Essas conexões são expressas através de links nas páginas dos usuários. Cada ator tem suas
mensagens publicadas (também chamadas “tweets”) para os seguidores, que acompanham em
uma janela própria.
Apesar de ser uma ferramenta relativamente nova, o Twitter já foi objeto de vários
estudos. Vários apontam, por exemplo, que a maior parte das atualizações efetivamente não responde à pergunta-título da ferramenta (MISCHAUD, 2007; HONEYCUTT & HERRING, 2009), mas está focada em apropriações relacionadas ao acesso à informação e ao estabelecimento de conversações entre os atores (JAVA et al., 2007). O uso do Twitter para conversação dá-se, principalmente, através do direcionamento
de mensagens pelo uso do sinal “@” diante do nickname do destinatário, o que faz com que
essas apareçam em uma aba denominada “@Replies” na página do ator (HONEYCUTT &
HERRING, 2009). Do mesmo modo, o uso do Twitter para acesso à informação é corrente,
tanto pelos usuários (JAVA et al., 2007), que parecem investir tempo na busca e divulgação
5 Embora a ferramenta seja comumente referida como “microblog”, optou-se por se referir a ela como um
“micromensageiro”, por se considerar que as apropriações conferidas ao Twitter fizeram com que ele se
afastasse da idéia de um blog.
6 De acordo com o Hubspot, a ferramenta alcançou 5 milhões de usuários ao final de 2008.
http://blog.hubspot.com/blog/tabid/6307/bid/4439/State-of-the-Twittersphere-Q4-2008-Report.aspx
7 Em novembro de 2008, o Ibope/NetRatings reportou de cerca de 1 milhão de usuários no Twitter, embora
apenas 140 mil recorrentes. http://idgnow.uol.com.br/internet/2008/12/05/especial-2008-twitter-ganharelevancia-
mas-se-mantem-um-site-de-nicho/

O Twitter também pode ser percebido como um site de rede social. Estes podem ser
definidos como espaços da web que permitem aos seus usuários construir perfis públicos,
articular suas redes de contatos e tornar visíveis essas conexões (BOYD & ELLISON, 2007;
ELLISON, STEINFIELD & LAMPE, 2007). O Twitter permite aos seus usuários também
criar um perfil público, interagir com outras pessoas através das mensagens publicadas, e
mostrar sua rede de contatos. E por isso, também oferece maneiras de gerar e manter valores
sociais entre essas conexões. Como as conexões no sistema são expressas através de links,
ficam permanentemente visíveis aos usuários, até mesmo entre aqueles que possuem contas
privadas8. O perfil dos usuários permite também personalizações diversas, como mudar a
imagem de fundo, as cores, e preencher dados, tornando o espaço de representação do “eu”
semelhante a páginas pessoais. Finalmente, os usuários podem, ainda, trocar mensagens entre
si por duas vias: por mensagem direta (no caso, apenas quem envia e recebe tem acesso à
mensagem) ou por Replies, em mensagens públicas direcionadas a partir do símbolo @,
mensagens que ficam disponíveis em uma aba específica.
Como site de rede social, o Twitter proporciona que essas redes sejam expressas
através dele. Entretanto, há diferenças dos sites de redes sociais mais tradicionalmente
referidos pela literatura9. Via de regra, nos sites de redes sociais, as conexões são recíprocas,
públicas e os links não são diferenciados entre si (DONATH & BOYD, 2004). Ao adicionar
alguém, é preciso que este ator adicionado concorde com a conexão (daí a referência à
interação social). No Twitter, essas conexões vão ainda mais longe: além de formar as redes
pela conversação, é possível formar uma rede de contatos onde jamais houve qualquer tipo de
interação recíproca. E essa conexão, embora não recíproca, pode dar ao ator acesso a
determinados valores sociais, que de outra forma não estariam acessíveis, tais como
determinados tipos de informações. Considera-se essa conexão como social porque o ator
adicionado é informado deste acréscimo, podendo impedi-lo, se desejar.
Huberman, Moreno & Wu (2009) mostraram outras conseqüências dessas conexões
não recíprocas. Os autores apontam que, no Twitter, os usuários costumam ter muitos
contatos, mas interagir, efetivamente com poucos desses. Com base nisso, vão dizer que no
8 Nas quais é preciso ser aprovado para ser seguidor de um ator e receber seus tweets.
9 MySpace, Facebook ou Orkut, por exemplo.

Twitter há duas redes: uma composta pelas relações de contatos estabelecidas na rede (quem
segue quem) e outra rede mais escondida, composta pelas relações entre quem efetivamente
interage com quem. Huberman, Moreno e Wu (2009) vão dizer que “a rede social que
importa” é a escondida, formada pelas pessoas que efetivamente interagem umas com as
outras, onde se esconde a rede social propriamente dita. Em sentido semelhante, Recuero
(2007), a partir de um estudo sobre o Fotolog.com, aponta para a existência de redes sociais
emergentes e redes sociais de filiação (ou associação). As primeiras seriam emergentes
pelas relações dinâmicas presentes nas conversações dos atores sociais, que constantemente a
reconstroem e modificam. Já as redes de filiação seriam decorrentes das conexões
automáticas proporcionadas pelos sites de redes sociais, mas igualmente construídas através
de interações possíveis em um contexto do ciberespaço. Mas que redes se pode perceber no
Twitter? Como o capital social influencia sua criação?

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